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Automedicação - um risco à saúde humana

Canal: Artigos

Por Dr. Nelson Belarmino, Farmacêutico

Diretor Executivo - Coordenare

 

A automedicação é definida como sendo a prática de ingerir medicamenos sem o aconselhamento e/ou acompanhamento de um profissional de saúde qualificado, em outras palavras, é a ingestão de medicamentos por conta própria. O Brasil é campeão no quesito automedicação sejam de medicamentos genéricos ou de marca, com ou sem prescrição, comprados em farmácias reais ou virtuais, o que não faltam são opções de medicamentos e diversas facilidades para adquiri-los, até mesmo no conforto de casa, sem precisar se locomover.

Na grande maioria das vezes os usuários que praticam a automedicação, independentemente do nível social, raça e religião parece desconhecer ou ignorar os possíveis riscos que essa prática pode trazer.

No mundo globalizado em que vivemos o ser humano busca a “fórmula secreta” para seus problemas, sejam esses para sintomas que variam de uma simples dor de cabeça até para as complicadas síndromes que podem levar à alterações físicas ou psiquicas. O desejo para praticar a automedicação é muito mais atraente e simples do que marcar uma consulta médica para, só então, tomar conhecimento do medicamento mais indicado, posologia, contraindicações e possíveis efeitos colaterais, isso se o caso realmente necessitar de terapia medicamentosa.

Os medicamentos podem ser comprados, por indicações de amigos, matérias de jornais, revista, Internet ou indicação do balconista, pois se observarmos atualmente nossos prescritores não são apenas os profissionais médicos, dentistas ou farmacêuticos e sim pessoas famosas que em horários nobres surgem na mídia, utilizando sua  imagem e fazendo o marketing de inúmeros medicamentos, e sempre salientando apenas a indicação do mesmo, sem ressaltar os riscos e possiveis interações que o paciente poderá apesentar.

 Conforme pesquisa do Ministério da Saúde, em novembro de 2008, foi observado que cerca de 30% das pessoas internadas em Unidade de Terapia Intensiva - UTI tiveram acesso ao princípios ativos que necessitavam, mas as causas do problema teria sido o uso incorreto de substâncias, facilitando assim intoxicações, hipersensibilidade e resistência de organismos nocivos.      

Recentemente e de forma inovadora o Instituto de Ciências, Tecnologiae Qualidade – ICTQ em sua pesquisa realizada e publicada em maio de 2014 constatou que cerca de 76,4% dos brasileiros tem o hábito de se automedicar, sendo que 32% desses aumentam a dose do medicamento para potencializar o efeito esperado. Um outro dado importante da pesquisa foi que 72% do entrevistados afirmaram confiar na indicação de medicamentos pela família, 42,4% confiam em indicação de amigos e 13,7% confiam na indicação de vizinhos.

Portanto acreditamos que a problemática da automedicação deverá ser encarada de forma séria por parte das autoridades federais, estaduais e municipais uma vez que podemos interpretar como sendo um problema de saúde pública, onde os usuários estão constantemente pondo sua saúde em risco, podendo ser necessária uma simples internação para re-hidratação assim como, uma internação para tentar reverter um quadro grave de intoxicação que poderá levar a morte.

Dentre os medicamentos de maior procura pela população e de venda livre, ou seja, sem retenção de receita, destacamos os antiinflamatórios e antitérmicos utilizados para tratamento de dor aguda e controle da hipertermia respectivamente, que podem apresentar como efeitos colaterais uma simples dor no estômago (epigastralgia) até o surgimento de uma úlcera péptica sangrante que será necessário internação para tratamento das possíveis complicações.

Dessa forma precisamos, como profissionais de saúde, urgentemente traçar estratégias para um melhor controle da automedicação, seja realizando atividades educativas ou mesmo orientando nossos pacientes no momento da consulta,  sem esquecer do envolvimento do poder público, que nesse contexto será um importante e indipensável aliado.